quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Playlist
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O mundo em nós
É fácil notar tudo o que somamos a nós que vieram de outras pessoas, dos mais simples hábitos a heranças que transformaram a nossa personalidade. Nós somos nós e mais um milhão de pessoas, nós somos o mundo montado em pedaços de mosaico, cada pessoa um recorte de milhares.
Quem você é se deve aos que caminharam ao seu lado, que mostraram que caminhos tortuosos e errantes são apenas um pouco do que define a existência humana, e como está falta de sentido pode ser suavizada pelo afago do abraço, ame aos amigos, porque você nada mais é que suas amizades.
sábado, 7 de agosto de 2010
Embriaguez
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Faca
Dentro de si um vazio, a agonia é tão grande que parece estar morrendo, mas ele não tem nada, aliás, ele não tem ninguém. Sente vontade de cortar-se, a lâmina fria, seu corpo quente, vai ver é isso, os opostos se atraem.
Compelido de tristeza diz não ver sentido em sua vida, fala sobre morte, caos e terror, em outros tempos diria que era louco, mas hoje tudo isso é real, basta olharmos o noticiário. De relance viu seu rádio ao fundo do quarto, pensou que uma música poderia animá-lo, sintonizou a primeira estação que se fez ouvir, ele conhecia aquela letra era "Clarisse", pensou "que dia perfeito para se morrer", só poderia ter sido o dedo do demônio para sintonizar aquela porra.
Olhou pela janela, o sol bateu em seus rosto, os olhos cegaram, fazia dias que não virá a luz do sol, lá fora todos caminhavam, olhou a irís de cada um e todas estavam tão embotadas quanto a dele. Teve um momento de conforto, afinal não era só ele que estava achando tudo sem sentido, quem a tempos não brilha os olhos, sabe reconhecer a infelicidade de longe.
Ligou a televisor, apenas mais um caso de corrupção, lembrou das promessas, campanhas e sinais de futuro feliz, é realmente as coisas fugiram ao controle, ele também havia sido enganado, é fácil acreditar em promessas quando falam o que queremos ouvir. Só vemos a verdade por inteiro quando nossos corpos já estão pela metade.
Andou pelo quarto, a faca no criado mudo como se quizesse ver sangrar, aproximou-se, a empunhou e com o sopro de um vento cravou-a na imagem que jazia na parede, lá a foto de um velho governante de quatro dedos e barba por fazer, hoje ele não iria se matar, ele já havia descoberto o culpado de tudo isso.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Antes sóbrio...
Eram 5 da manhã, comi aquele velho hot dog de carrocinha, desses que protagonizam a melhor refeição após uma noite regada a álcool, sangue e suor. Obviamente ao terminar os lábios estavam lambuzados de molho, o que assinalava que tudo havia sido degustado da melhor forma possível e é claro sem a menor etiqueta, quando a fome é quase vital não nos apegamos a detalhes.
Segui desorientado pela calçada e vezes pela rua, afinal, os passos não são tão seguros após algumas doses de absinto, nunca tive o privilégio de sentir os efeitos alucinógenos da fada verde, se Van Gogh sabia como, deve ter morrido com estes segredos. Rumei pela estrada, o sino da igreja avisará, já eram 6 da manhã e eu ainda neste inferno de caminho para casa, cada passo mais cansado, cada passo mais lento, meu estomago pedia ajuda e eu suplicava por não regurgitar toda aquela merda.
O rosto dolorido, não é fácil ser esmurrado, mas por um lado me sentia bem, é preciso sofrer a força de um punho para se sentir vivo, o pior é que eu sabia que merecia, adorava pagar de vítima, mas dessa vez não ia colar, pelo menos paguei minha dívida, agi como idiota e tomei o devido troco.
Cheguei em casa “home sweet home”, fui logo tirando a roupa e me encaminhando para cama, minha garota já estava deitada, no lençol, meu lado quente esperando, dei nela um beijo dos nossos, era impossível disfarçar meu bafo, fechei os olhos e tudo girava como um carrocel. Estava quase pegando no sono, quando me fiz uma pergunta, teria minha mulher esperado apesar do horário e enrolada em seus cobertores aquecido o lugar onde seu velho iria dormir? Ou havia alguém antes de mim naquela mesma cama fazendo obscenidades com minha menina?
Naquela noite não preguei mais o olho, jamais toquei no assunto que havia me deixado bolado, um alcoólatra não olha para trás e eu não tinha moral para isso, como já diz o velho deitado “não mexa na merda, porque mesmo seca ela ainda fede” sabia, é o preço que se paga por algumas doses a mais.
Imagine eu que dizia que nunca iria parar com o álcool, como se não existisse coisa mais importante em minha vida que beber com os amigos, jogar um carteado e flertar com mulheres, hoje estou no A.A. Queria ter sido salvo por Deus, que um amigo tivesse me trazido para cá, infelizmente a luz da sobriedade veio da pior forma, enfim, antes sóbrio que corno.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Velhos rituais
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Gratificação
Hoje todos querem mostar que não ligam para nada e que são donos de seus próprios narizes, mas essa tentativa frustrada de independência utópica soa mais falso do que se resignar e aceitar nossa condição humana de procuradores de espelho, onde só queremos enxegar o reflexo dos que se dizem entendedores, o admirar tem seu papel, para aprender temos de nos moldar a partir do outro, mas você ter de ser quem não é, sorrir para quem não gosta e abraçar sem sentimento para ser gratificado e "aceito" nos preenche de vazio e nos leva a crer que mais do que essência, temos de ter aparência, é isso que buscamos?
Pense o mundo ao seu redor a partir de um prisma de lógica, por exemplo as vezes está calor, mas você não pode usar uma bermuda, afinal você está trabalhando e o regulamento interno não permite que ande com roupas "esporte", que mal há em andar de bermuda, você não irá desrespeitar a etiqueta, que etiqueta? para que serve isso, nos classificar, rotular, a cada lugares que vamos são saltos, brincos, maquiagens carregadas, gravatas, camisas abotoadas, enfim uma vida encomoda, a custo de que? fazer parte de algo, mas será que revogar nossa liberdade de ser faz sentido?
Abrimos mão de nosso bem estar para que sirvamos de modelo, para que outras pessoas façam o mesmo e que para todos façam igual, estar fora dos padrões para algumas pessoas é muito frustrante, afinal elas precisam de gratificação.
Hoje irei trabalhar de bermuda e chinelo, espero não ter de explicar tudo isso ao meu chefe.