O perdedor antes da
linha de chegada. Seguindo apesar de tudo, com o pesar de tudo. O asfalto
quente queimando os pés, as vaias, os sons nobres da derrota. Corredores
perdidos entre as placas de pare e sinais de siga. Tapas nas costa dizendo que
fizemos o melhor, mas sabemos. Não conseguimos mais comemorar nossos fracassos.
O dia parece ter 25 horas e mesmo assim estamos atrasados, falidos, vencidos e
o pior que isso, conformados. O gosto amargo dos lamentos me distrai, enquanto
a vida vai ficando morna. E tudo isso ainda me alimenta, só não mais me
satisfaz.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Ler
Tentei encaixar os detalhes para
obter uma resposta, mas descobri que a forma que as coisas acontecem carecem de sentido. Eu que não fui capaz nem de decifrar teus olhares, quem dera pudesse ler os caminhos que tomam o mundo.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Espaços enormes
Pelos quarteirões espaços
enormes, os corpos sujos. As esquinas cruzaram-se por só. E nada fizemos para
que o caminho fosse outro. Tentei compensar as coisas, mas não existe remédio
para o que deixamos de fazer. É preciso aprender a nunca hesitar, porque é tudo
sobre coragem.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
O jornaleiro
Até logo, disse o jornaleiro, sem
nunca me trazer os jornais, como se não quisesse que eu soubesse o que
aconteciam todas as manhãs. Como se quisesse me poupar de algo, me livrar de
algum mal, que não se faz necessário saber. Talvez porque todos já sabíamos e
estávamos pela última vez cansados.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Vocês dois
As notícias chegaram e eu
descobri da pior maneira. O inesperado teve um sabor amargo, eu deveria saber que um dia você também reconstruiria a sua vida. Mas protegerei as
memórias, da forma como prometemos. Te recordarei, do jeito que
você merece. Boa sorte no seu novo lar.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Amanhã têm mais
O caos é uma lógica, tão clara
quanto a vida. E você nunca irá se livrar disso, das coisas que te machucam,
porque que o tempo corre em círculos. E o filme sempre se repete, banalizado
nas cores mórbidas do teu cotidiano.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Se soubesse prever
E tudo começou errado. Como se o tempo não nos coubesse. O relógio adiantado da vida precipitando o nosso encontro, sem saber que na juventude daquela hora, a gente ainda não sabia amar. Tudo foi tão cedo, que nem deu tempo, do nosso coração amadurecer.
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