segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Meu despertador quebrou

Os dias nasciam violados e eu desperdiçava o tempo, escolhendo com que cor estariam meus olhos. Não tinha as horas, o relógio em troca de uma bebida, servida ainda quente na mesa de um bar. O gosto de cachaça não me orgulhava e minha cabeça explodia, imaginando o paraíso que seria ter uma aspirina. Mas eu não tinha nada e estava atrasado, como quem perde o ônibus ou o trem lotado e fica sem destino, vendo o mundo girar. Hoje eu tive que correr de novo, pra poder vir trabalhar.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Repetidas vezes

E os dias se arrastariam nas notícias dos jornais, repetidas vezes leria o papel manchado com teu nome. Lembro bem, quando eu fingia que dormia e você dava um jeito de suspirar baixo pra não me acordar. Um sinal de afeto, destes escrito em gestos, que talvez ninguém pudesse notar. Me sinto velho quando vejo, a falta dos teus cabelos, nas rugas do meu travesseiro. Explica agora, enquanto demora, tudo o que não sei entender.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

É tudo inédito

A vida é um acidente, ela apenas acontece e eu queria ao menos poder contar com a sorte.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um dia amarelo

Hoje vi o sol de uma forma como se nunca antes houvesse aberto a janela. Parece que essa claridade que veste minha casa em tons de amarelo, me trouxe um pouco de paz. Não sei dizer com certeza quanto tempo faz, que está calma tinha ido embora, mas veio com a sensação de que realmente após todos os atrasos há uma recompensa e estamos exatamente onde deveríamos estar. Lá perto do calor, junto das coisas pequenas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Leão

A vida pode ser boa, se você quiser que ela seja, é tudo uma questão de aprender a desviar dos estilhaços e não se esquecer, que no fundo temos um coração de leão.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os pés do meu caminho

Quer um pouco de sentido, mas mergulha na insanidade. Foge da realidade pra poder se encontrar. Não faz planos pelo calendário, afinal o seu é do ano passado. Em 2012 talvez ele aprenda, a ser melhor do que agora. Porque hoje tudo que tem é um embrulhado de medos que carrega na mala. A gente corre pra saber e caminha pra encontrar. No final sobram apenas as solas, a poeira que não larga o sapato, o retrato dos caminhos que estivemos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O coração do mendigo

O mendigo que caminha pela calçada, vítima dos trapos que lhe fazem parte. Encontra amor na rua, nos becos, nas vidas estranhas que despejam o dinheiro sobre seus colos. E neste caminhar que dos poros transpira o álcool, ninguém saberá dizer, quantos vagabundos cabem no coração de uma sarjeta.